Governo admite rever frete e caminhoneiros podem parar de novo - Tupi Martim.Com

Resumo

quinta-feira, 7 de junho de 2018

Governo admite rever frete e caminhoneiros podem parar de novo

Quinta, 07 de Junho de 2018

Ministro Blairo Maggi diz que tabelamento sofrerá mudanças porque impactará muito custos dos produtores rurais e inflação; pelas redes, motoristas já admitem nova paralisação contra alterações no acordo.


Após reunião com representantes do setor agropecuário, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, afirmou nesta quarta-feira (6) que a ANTT (Agência Nacional de Transporte Terrestre) vai rever a tabela de preços de frete divulgada após acordo do governo Temer para acabar com a greve dos caminheiros.

“A ANTT vai buscar fazer uma readequação dos valores. Ninguém está querendo fugir do acordo que o presidente fez. Agora, que ele seja justo para todos os lados”, disse Maggi. “O que precisa fazer são as contas. Ninguém vai romper nada”, acrescentou.

A agência informou, na manhã desta quarta, que publicará ajustes em breve, com “dados mais detalhados”. Comunicou, ainda, que abrirá processo de consulta pública e que o assunto “vem sendo discutido como prioridade desde a semana passada”. A reunião da agência deverá ocorrer ainda nesta tarde.

Para Maggi, o tabelamento tornou o frete muito caro e, sem uma revisão dos valores, pode haver impacto na inflação. Segundo ele, a medida elevou os custos dos produtores rurais em mais de 100%.

“Quem vai acabar pagando a conta é o consumidor, com inflação violenta que vai vir pela frente”, disse. “Não pode, em um momento desse, desequilibrar todo o resto da economia em função de uma determinada categoria”, acrescentou.

Estudo do Ipea mostra que o setor agropecupário perdeu ao menos R$ 5 bilhões durante os 11 dias de greve dos caminhoneiros porque não foi possível escoar o estoque nem alimentar animais devido ao bloqueio das estradas pelo país.

O ministro afirmou, ainda, que é contra a existência de uma tabela. “Sempre achei que não deve existir tabela, que deve ser mercado livre, mas já que tem uma tabela, que contemple os dois lados, que possa ser um ponto de partida para negociação de fretes.”

O presidente da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), João Martins da Silva Junior, disse que a entidade pretende acionar a Justiça se não houver uma mudança na tabela, que ele classifica como “retrocesso”.

“Tem de rever a tabela ou a CNA tomará todas as medidas possíveis, até ir à Justiça para questionar a legitimidade da tabela”, disse Martins.

A tabela de preços mínimos de frete foi publicada no último dia 30.
Ameaça de nova paralisação.

Nas redes sociais, já circula uma nova ameaça de nova paraliação dos caminhoneiros, caso a tabela do frete seja modificada.

“Se essa tabela cair, vai ter uma greve pior que a última. E aí não vai ter negociação, pois eles vão querer provar para o mundo que são fortes, vai ser uma grande revolta”, diz Ivar Luiz Schmidt, representante do Comando Nacional do Transporte (CNT) e que foi o grande líder da paralisação de 2015.

O presidente da Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), José Fonseca Lopes, que esteve à frente das negociações com o governo na greve encerrada na semana passada, deverá participar nesta quarta de uma reunião com a Casa Civil para discutir o assunto.

Informações: agências 
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